Menu
Home » Loja



 

Ovo:
Vilão ou Herói

A produção de ovos comerciais cresceu 54% em nível mundial, mas no Brasil apenas 8,8% entre 1990 e 2001. Isto é reflexo do baixo consumo per capita (123 ovos/ano) brasileiro, há países que consomem mais de 300 ovos/ano. É estranho pensar que o consumo de carnes teve um aumento considerável nos últimos anos, mas que o ovo não tem acompanhado esse ritmo. E mais estranho ainda, é pensar que o ovo tem maior consumo pelas classes de renda média e alta da população, em detrimento das classes baixas. O motivo de se estranhar tais fatos se deve ao fato das elevadas taxas de desnutrição do país nas camadas sociais mais pobres, então como entender o baixo consumo de ovo nesta faixa da população?

            Sabendo-se que os ovos possuem proteínas ricas em aminoácidos essenciais, gorduras ricas em fosfolipídes importantes, ácidos graxos essenciais e vitaminas, componentes esses de grande relevância para a nutrição humana, torna-se evidente a necessidade de maior inclusão de ovos na dieta da população das camadas sociais mais carentes.

A clara (ou albúmen) é constituída de 13 proteínas de alto valor biológico, sendo que as principais são a ovoalbumina e a ovotransferrina. A gema contém a maior fração de nutrientes essenciais como vitaminas, proteínas de alto valor biológico (possui 97,3%, só perdendo para os aminoácidos essenciais do leite materno), fosfolipídeos, ácidos graxos essenciais e minerais. Ainda, o ovo possui altos teores de luteína e zeaxantina, dois antioxidantes carotenóides, que podem colaborar na redução dos riscos de doenças degenerativas dos olhos, ligadas ao envelhecimento, por exemplo. Portanto, ao pensar apenas no fator colesterol, o consumidor despreza todas as substâncias citadas anteriormente e que são essenciais à vida e a saúde. O ovo apresenta a maior quantidade de nutrientes essenciais totais à nutrição humana em relação ao seu conteúdo calórico quando comparado com qualquer outro alimento.

            Durantes as últimas décadas, cientistas tem recomendado a limitação do consumo de ovos devido ao colesterol encontrado na gema. Tal nutriente estava originalmente relacionado com o aumento da colesterolemia e associado a doenças cardiovasculares. Porém, recentes pesquisas têm reavaliado este conceito e encontrado que a ingestão de gorduras saturadas e não o colesterol é maior responsável pelas doenças cardiovasculares. Gorduras saturadas são aquelas sólidas a temperatura ambiente.
            Os ovos, como poderá ser visto na tabela abaixo, são considerados alimentos de baixo teor de gordura, tendo na sua fração lipídica maiores concentrações de ácidos graxos insaturados. Assim, um ovo de 60 g, por exemplo, possui somente 1,5 g de gordura saturada, quantidade relativamente pequena se comparada a outros alimentos normalmente consumidos.

             Conteúdo de nutrientes em um ovo de 59g                                                       

Nutrientes (unidades)

Ovo inteiro

Clara

Gema

Calorias (Kcal)

75

17

59

Proteínas (g)

6,25

3,25

2,78

Lipídeos totais (g)

5,01

0

5,01

Carboidratos totais (g)

0,6

0,3

0,3

Ácidos graxos (g)

4,33

0

4,33

Lipídeo saturado (g)

1,55

0

1,55

Lipídeo monoins. (g)

1,91

0

1,91

Lipídeo polinsat. (g)

0,68

0

0,68

Colesterol (mg)

213

0

213

Tiamina (mg)

0,031

0,002

0,028

Riboflavina (mg)

0,254

0,151

0,103

Niacina (mg)

0,036

0,031

0,005

Piridoxina (mg)

0,070

0,001

0.0069

Folacina (g)

23,50

1,00

22,50

Vitamina B12 (g)

0,50

0,07

0,43

Vitamina A (UI)

317,50

0

317,50

Vitamina E (mg)

0,70

0

0,70

Vitamina D (UI)

24,50

0

24,50

Colina (mg)

215,10

0,42

214,6

Biotina (mg)

9,98

2,34

7,58

Cálcio (mg)

25

2

23

Ferro (mg)

0,72

0,01

0,59

Magnésio (mg)

5

4

1

Cobre (mg)

0,007

0,002

0,005

Iodo (mg)

0,024

0,001

0,022

Zinco (mg)

0,55

0

0,55

Sódio (mg)

63

55

8

Manganês (mg)

0,012

0,001

0,011

ENC: Nutrient value of eggs – American Egg Board’s (2001) 

Em artigo publicado pela revista Veja de 04/10/2006 ressalta-se que a colina é essencial para bom funcionamento do cérebro e que as gorduras monoinsaturadas - a maior quantidade de gordura do ovo encontra-se nessa forma, como exposto na tabela – é tida como a gordura do bem por ser protetora do coração. No mesmo artigo, destaca o ovo como excelente fonte de triptofano, aminoácido precursor da serotonina, substância associada a sensação de bem-estar.

Pesquisas realizadas na Harvard School of Public Health (1999) encontraram que a saúde de adultos estava relacionada com grupos que possuíam o hábito de comer um ovo por dia sem aumento da incidência de doenças cardiovasculares. Vários outros estudos também chegaram a esta conclusão, verificando variações muito pequenas nos níveis sanguíneos de colesterol após ingestão de 1 ou 2 ovos por dia. Outros estudos mostraram também que, os níveis de HDL (colesterol bom) aumentavam quando os indivíduos eram suplementados com ovos em suas dietas. Assim, vários estudos clínicos e epidemiológicos sobre a relação entre colesterol da dieta, ovos e risco de doença coronariana demonstraram relação zero entre doenças cardiovasculares e colesterol da dieta (McNamara, 1999). Portanto, tamanha preocupação com os níveis de colesterol presentes na dieta a base de ovo de fato se justifica após breve apresentação dos trabalhos científicos realizados mundialmente?

O colesterol torna-se ainda de menor importância, diante de outros trabalhos como os que evidenciam o consumo de ovos para o desenvolvimento da inteligência para crianças (FAO/ Índia, 1996) ou no combate a progressão de Alzheimer (Canada, 2001).

Após tantas evidências aqui expostas sobre a importância do ovo na nutrição humana e os benefícios que podem trazer a saúde, aliado ao baixo custo deste produto, não há justificativa convincente para manter-se baixo o consumo de ovo no Brasil diante dos problemas de subnutrição e pobreza do país.

Divulgar os resultados das pesquisas realizadas junto aos consumidores sobre os benefícios do ovo é tão importante, que tal atividade fez com que o consumo de 139, subisse para 229 ovos/ano dentro de um período de 10 anos nos Estados Unidos. Portanto, o fato é deixar de encarar o ovo como um vilão e passar a olhá-lo como um possível herói no combate a subnutrição e fonte de proteína animal acessível a todas as camadas sociais da população brasileira.

Por: Claudia Cassimira da Silva

Secretária Executiva da AVAL e Graduanda em Zootecnia pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos - USP

 
Veja mais fotos Veja também: A VINGANÇA DA GALINHA - O VÍRUS H5N1